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sábado, 22 de julho de 2017

Pó e nada mais




 

Se houvera tanto, na boca, para dizer,
Quanto o que sinto adentro do meu peito,
Um tal tormento finava por defeito
E eu, podia, liberto, reviver.

Mas calarei, bem no fundo, o meu prazer,
Para que a Paz se acolha no seu leito,
Por aliança devida e por direito
A um outro alguém carente de viver.

Farei o meu luto enquanto vegetar,
No sofrimento que aceito sem temor;
Serei sepulcro e nele hei-de habitar.

E a minha Alma, com olhos irreais,
Vive a homenagem daquela simples flor,
Até meu corpo ser pó e nada mais.



SOL da Esteva

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sábado, 15 de julho de 2017

Além da sepultura




Não sei escrever
Sobre o vazio.
O que transmitisse,
Só deixaria sofrimento e frio.

Acredito na sensibilidade,
Na compaixão,
No pensamento.

Desesperadamente,
Como o afogado,
Aperto o meu punho no peito destroçado,
Tentando encorajá-lo
A prosseguir no silêncio,
Sem denunciar a Alma.
É a voz do coração
Que ficou calado.

Não posso fazer sofrer
Quem me rodeia e estima,
Quem me ensina, sofrendo
Com um sorriso no rosto,
Os que me querem erguer
Da seara poética
Do desgosto.

Não quero escrever,
Porque só conheço a dor
Por forma de expressão!

Talvez um dia...
(Quem sabe?)
Eu sinta que tanta dor
Derive do vero Amor,
Por elo, por ligação...

Ah! Se pudesse tomar,
Discernidamente,
As rédeas
Duma vontade
Que se esconde no peito!...

Se eu souber esquecer
Os medos e os terrores,
Das ânsias que avassalam
O corpo que me tem,
Decerto aprenderei,
Bem na hora de morrer,
Tudo o que de bom deixei
E a coragem de enfrentar,
O piscar do dia-a-dia,
O vazio do social...
Mais seguro, eu saberia
Não ter sido mais feliz
Somente com o meu mal.

Não quero denunciar
O que vai na minha Alma
Por ser dor e sofrimento.
Antes,
Saberei mascarar
A vida que me sobrar
Tornando os outros felizes;
Dedicar-me-ei a eles
No sacrifício de mim.
...E o meu Apostolado
Levará a toda a gente
Um ar de graça e frescura
Que não irá terminar
Mesmo além da sepultura.


SOL da Esteva

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sábado, 8 de julho de 2017

Águas passadas




Num último tempo, tive família,
Olhei um tecto,
Vi os meus irmãos...

Quis saber da minha existência,
Depois de tão prolongada ausência
Feita esquecimento,
Em cada hora
Dos dias sem alento.

Clamei,
Desde os cumes
Onde a neve se alcandora
Nos Invernos frios da vida,
Ouvi repetir o meu eco, que chora
Lágrimas fartas, geladas...
Duma vida perdida.

O ribombar, estrondoso,
Da avalanche de frio,
Veio fechar o sepulcro vazio
No vale onde agora jaz
A dor do meu silêncio,
A dor das águas passadas.


SOL da Esteva

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sábado, 1 de julho de 2017

Reencarnando





É tanto Amor que o tempo entreteceu,
Que o Dever tornou molhado e frio.
Pelas dores dum rosário, eu desfio
As contas que o passado não esqueceu.

Eu tento apenas ser o que viveu,
Em negra solidão, restos de brio,
No impossível, que acaricio
Com os meus olhos postos neste Céu.

Já não existem lágrimas no rosto,
Que vai descendo a noite e o sol é posto.
Terá que haver um lume, de esperança,

Saindo da candeia que alumia,
Reencarnando Vida noutro dia
Com aquilo que guardo na lembrança.



SOL da Esteva

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