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sábado, 12 de agosto de 2017

O sentir do coração



                    

Queres passar além de ti?

Não o podes, simplesmente.
Queres ultrapassar-te?
Isso, sim!
Mas já não serás tu;
É apenas esse corpo.

Tu (mesma) és a Alma que vibra
E sobre ela não passarás.

Pretenderias ser Mar?
Terias que ser água.
O Mar tem tempestades,
Calmarias e movimento;
Ele não é igual a si mesmo.
Tem Alma
E chora de tormento.

E o imenso Céu?
Tem as suas núvens,
O Sol e as Estrelas
Para além da imensidão.
Ele não é o azul.
É o espaço dos sonhos,
Intocável,
Impalpável,
Como o sentir do coração.


SOL da Esteva

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sábado, 5 de agosto de 2017

O sonho dos Poetas




Gela-se-me o peito, de tristeza,
Pelo tempo sombrio que passou.
A chuva persistiu e se entranhou
Na Alma permeável. Indefesa,

Matou o dia desta natureza;
Somente a flor silvestre se vingou,
Pois em sua corola se fechou
Desafiando o tempo que a despreza.

Escorre, o turbilhão, pelas valetas
E eu anseio um sol resplandecente
Além do Céu sombrio e encoberto.

Apenas resta o sonho dos Poetas
Vogando em fantasias, docemente,
Fazendo, da lonjura, estar-se perto.


SOL da Esteva

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sábado, 29 de julho de 2017

O nada não se vê




Comiseração pela dor que sinto?
Não!
Aceitação do meu querer,
Fragas da Vida,
Trilhos de montes,
Copas altaneiras...

Revolta-me
O nada oco,
O vazio
Da essência da Vida,
Das chagas que não sangram,
Da dor que não é dor...

A dor, não existe,
Mas está
sempre presente
E persiste
Em ficar comigo.
Não sei o porquê.

Amigo,
O nada não se vê.


SOL da Esteva

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sábado, 22 de julho de 2017

Pó e nada mais




 

Se houvera tanto, na boca, para dizer,
Quanto o que sinto adentro do meu peito,
Um tal tormento finava por defeito
E eu, podia, liberto, reviver.

Mas calarei, bem no fundo, o meu prazer,
Para que a Paz se acolha no seu leito,
Por aliança devida e por direito
A um outro alguém carente de viver.

Farei o meu luto enquanto vegetar,
No sofrimento que aceito sem temor;
Serei sepulcro e nele hei-de habitar.

E a minha Alma, com olhos irreais,
Vive a homenagem daquela simples flor,
Até meu corpo ser pó e nada mais.



SOL da Esteva

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sábado, 15 de julho de 2017

Além da sepultura




Não sei escrever
Sobre o vazio.
O que transmitisse,
Só deixaria sofrimento e frio.

Acredito na sensibilidade,
Na compaixão,
No pensamento.

Desesperadamente,
Como o afogado,
Aperto o meu punho no peito destroçado,
Tentando encorajá-lo
A prosseguir no silêncio,
Sem denunciar a Alma.
É a voz do coração
Que ficou calado.

Não posso fazer sofrer
Quem me rodeia e estima,
Quem me ensina, sofrendo
Com um sorriso no rosto,
Os que me querem erguer
Da seara poética
Do desgosto.

Não quero escrever,
Porque só conheço a dor
Por forma de expressão!

Talvez um dia...
(Quem sabe?)
Eu sinta que tanta dor
Derive do vero Amor,
Por elo, por ligação...

Ah! Se pudesse tomar,
Discernidamente,
As rédeas
Duma vontade
Que se esconde no peito!...

Se eu souber esquecer
Os medos e os terrores,
Das ânsias que avassalam
O corpo que me tem,
Decerto aprenderei,
Bem na hora de morrer,
Tudo o que de bom deixei
E a coragem de enfrentar,
O piscar do dia-a-dia,
O vazio do social...
Mais seguro, eu saberia
Não ter sido mais feliz
Somente com o meu mal.

Não quero denunciar
O que vai na minha Alma
Por ser dor e sofrimento.
Antes,
Saberei mascarar
A vida que me sobrar
Tornando os outros felizes;
Dedicar-me-ei a eles
No sacrifício de mim.
...E o meu Apostolado
Levará a toda a gente
Um ar de graça e frescura
Que não irá terminar
Mesmo além da sepultura.


SOL da Esteva

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